🌾 ALMANAQUE RURAL DE PORTO DA NAVE
Setembro de 2026 — Entre as colheitas, as festas e a partida dos nossos
Setembro chega devagar.
Ainda há dias quentes e soalheiros, mas as manhãs começam a trazer aquele ar fresco que anuncia a mudança de estação. Os campos vão mudando de cor e, por Porto da Nave, a vida continua ligada à terra.
É tempo de colher aquilo que foi semeado durante a primavera e o verão, mas também de começar a preparar o próximo ciclo.
A batata chega à sua altura de ser arrancada, o feijão vai sendo apanhado, as hortas continuam a dar trabalho e o milho entra numa das suas últimas etapas: a ensilagem.
E enquanto uma parte da terra se esvazia, outra começa a ser preparada para receber o centeio.
É assim o calendário rural: uma colheita termina e outra semente já está a ser pensada.
🥔 A vida da terra
Setembro é mês de trabalho.
É tempo de apanhar a batata, colher o feijão, tratar das hortas e aproveitar os últimos produtos do verão.
O milho, depois de meses a crescer nos campos, é cortado e ensilado para servir de alimento aos animais durante os meses mais frios.
Também é altura de olhar para os terrenos que vão receber o centeio. A terra começa a ser preparada para a nova sementeira, dando continuidade a um ciclo que atravessa gerações.
Nos quintais continuam as couves, nabos, feijões e outras culturas que vão prolongando a produção da horta pela entrada do outono.
👋🚗 Quando os nossos emigrantes começam a partir
Agosto trouxe muita gente de volta.
Durante algumas semanas, Porto da Nave ganha outra vida. Reabrem-se casas que permanecem fechadas grande parte do ano, reencontram-se familiares, fazem-se almoços e jantares, aparecem carros nas ruas e as festas tornam a juntar pessoas que vivem longe.
Mas setembro traz também o outro lado desse reencontro.
Começam as despedidas.
Muitos dos nossos regressam a França e a outros países onde vivem e trabalham. Alguns partem ainda nos últimos dias de agosto, outros nos primeiros dias de setembro.
As malas voltam a encher-se. Há quem leve consigo produtos da terra, fotografias, lembranças e, sobretudo, mais algumas memórias para guardar até ao próximo verão.
A aldeia vai ficando novamente mais calma.
Mas quem parte leva Porto da Nave consigo.
E quem fica sabe que, quando chegar outro verão, muitos voltarão a aparecer pela mesma estrada.
Há aldeias que se medem pelo número de pessoas que lá vivem. Outras também se medem pelo número de pessoas que, mesmo longe, continuam a regressar.
Isto é Porto da Nave também. 🌾❤️
🎉 Setembro de festas, feiras e tradições
Setembro é também um mês cheio de movimento na região.
🎡 Feira de São Mateus — Viseu
Até 6 de setembro
A Feira de São Mateus decorre este ano de 6 de agosto a 6 de setembro, pelo que os primeiros dias de setembro ainda pertencem à grande feira de Viseu.
A edição de 2026 é a 634.ª e reúne tradição, gastronomia, cultura, divertimentos e espetáculos.
🙏 Festas de Nossa Senhora dos Remédios — Lamego
27 de agosto a 9 de setembro
As festas prolongam-se pelos primeiros dias de setembro e têm um dos seus momentos maiores no dia 8 de setembro, com a Missa Festiva e a Majestosa Procissão de Triunfo.
A programação termina no dia 9.
É uma das grandes romarias da região e junta tradição religiosa, música, cultura e convívio.
🍎 Expodemo — Moimenta da Beira
10 a 13 de setembro
Aqui estamos praticamente em casa.
A Expodemo regressa a Moimenta da Beira de 10 a 13 de setembro, celebrando a maçã e mostrando produtos, atividades e serviços da região.
É também uma oportunidade para lembrar que a agricultura continua a ter um papel importante na identidade económica e cultural do concelho.
🍞 Festival do Pão — Vila Cova à Coelheira
12 e 13 de setembro
Vila Cova à Coelheira recebe a 10.ª edição do Festival do Pão, juntamente com o 41.º Festival de Folclore.
O pão, as tradicionais bôlas, os fornos comunitários, o artesanato, a gastronomia e o folclore juntam-se numa celebração dos saberes antigos.
No domingo está prevista a visita aos fornos comunitários e a prova das bôlas.
🍯 Feira do Mel e Artesanato — Pendilhe
26 e 27 de setembro
Pendilhe recebe a 10.ª Feira do Mel e Artesanato.
A apicultura é uma das atividades de maior expressão da freguesia, beneficiando da flora da região.
A feira junta mel, artesanato, produtos locais, bombos, folclore e outras tradições.
No domingo há ainda degustação de produtos locais, desfile etnográfico e o Festival de Folclore.
🍞🍯 Pão e mel — sabores que contam histórias
Setembro traz-nos também dois sabores que dizem muito sobre a nossa região.
De um lado temos o pão, ligado aos cereais, aos fornos comunitários e ao trabalho de muitas gerações.
Do outro temos o mel, ligado às abelhas, às flores, à vegetação espontânea e ao cuidado dos apicultores.
São produtos diferentes, mas ambos contam uma história semelhante: a história de uma região onde a alimentação nasceu durante séculos daquilo que a terra e a natureza ofereciam.
E talvez seja essa uma das melhores razões para incluir estas duas festas no Almanaque Rural de Porto da Nave: não são apenas acontecimentos para visitar; são pedaços da memória agrícola e cultural da nossa região.
🥔 Setembro em Porto da Nave
Enquanto Vila Cova celebra o pão e Pendilhe celebra o mel, por Porto da Nave a vida continua ligada à terra.
É tempo de tirar a batata, apanhar o feijão, cuidar das hortas e terminar trabalhos de verão. O milho que durante meses cresceu nos campos começa agora a transformar-se em alimento para os animais, através da ensilagem.
E, enquanto uma colheita termina, outra começa a ser preparada: o centeio volta à terra.
É assim o calendário rural. Nada acaba verdadeiramente; uma tarefa dá lugar à seguinte.
Setembro é, por isso, um mês de passagem: entre o verão e o outono, entre a colheita e a sementeira, entre aquilo que a terra deu e aquilo que novamente lhe vamos confiar.
🏡 Património Rural — As marcas de outros tempos
Há coisas em Porto da Nave que fazem parte da paisagem há tantos anos que já quase deixámos de reparar nelas.
Os caminhos, muros, casas, fontes, tanques, terrenos e antigos espaços de trabalho podem guardar histórias que fazem parte da memória da aldeia.
Alguns continuam a ter utilidade. Outros ficaram apenas como testemunho de outros tempos.
São lugares que passaram de geração em geração e que, mesmo quando já não têm a importância que tiveram no passado, continuam a fazer parte da identidade de Porto da Nave.
Património rural não é apenas aquilo que está num museu. Muitas vezes está mesmo à nossa porta.
🌙 As fases da Lua
Setembro
🌗 Quarto Minguante: 4 de setembro
🌑 Lua Nova: 11 de setembro
🌓 Quarto Crescente: 18 de setembro
🌕 Lua Cheia: 26 de setembro
Outubro
🌗 Quarto Minguante: 3 de outubro
🌑 Lua Nova: 10 de outubro
🌓 Quarto Crescente: 18 de outubro
🌕 Lua Cheia: 26 de outubro
🍲 Receita do mês — Feijão com couves à moda da aldeia
Setembro pede uma receita que venha da horta.
Feijão, couves, batata, cebola e, para quem tiver, um pouco de carne ou enchido dão origem a uma comida simples, reconfortante e muito ligada à cozinha rural.
É daquelas comidas em que não é preciso luxo.
É preciso ter bons produtos e saber juntá-los.
📜 Provérbio do mês
“Setembro que chega a bom tempo, traz ao lavrador contentamento.”
Setembro é um mês de equilíbrio: ainda precisamos de algum sol para terminar as colheitas, mas já começamos a desejar a chuva que ajude a terra a preparar-se para o novo ciclo.
🌱 Sabedoria da Terra
🥔 Guardar bem a batata
Depois da colheita, a batata deve ficar bem seca e ser guardada num local fresco, escuro e arejado.
A luz pode provocar alterações indesejáveis e um local demasiado húmido favorece problemas durante o armazenamento.
🌾 E o centeio já espera pela terra
Quando se termina uma colheita, o agricultor já pensa na seguinte.
É essa uma das grandes lições da agricultura: a terra nunca está verdadeiramente parada.
🍎 A natureza em setembro
Setembro é um mês de transição.
As manhãs começam a refrescar, os dias encurtam lentamente e algumas árvores começam a mudar de aspecto.
Os campos deixam pouco a pouco o verde intenso do verão.
É também tempo de frutos e de preparação para os meses em que a natureza abranda.
E, para quem vive da terra, cada mudança no ar pode ser uma pequena previsão do que aí vem.
📅 Datas e pequenos momentos do mês
1 de setembro — início do mês em que o verão começa lentamente a despedir-se.
8 de setembro — dia de Nossa Senhora dos Remédios, com a grande procissão em Lamego.
10 a 13 — Expodemo, em Moimenta da Beira.
12 e 13 — Festival do Pão e Festival de Folclore, em Vila Cova à Coelheira.
21 de setembro — Dia de São Mateus, data tradicionalmente associada à Feira de São Mateus de Viseu.
23 de setembro — chegada do outono astronómico.
26 e 27 — Feira do Mel e Artesanato, em Pendilhe.
😄 Humor do mês
— Então, já acabaste a apanha da batata?
— Ainda não.
— E quando acabas?
— Quando acabar a batata. 😂
😂 Anedota da aldeia
Um homem chega a casa depois de um dia inteiro no campo.
A mulher pergunta:
— Então, o que fizeste hoje?
— Muito trabalho.
— Mas fizeste o quê?
— Isso é que ainda estou a tentar descobrir! 😂
🤔 Cúmulo do mês
O cúmulo do agricultor em setembro?
Ter a batata toda apanhada… e descobrir que ainda falta apanhar a que ficou no terreno! 😄
💭 Reflexão do mês
Um pensamento antigo
Aristóteles lembrava-nos, em essência, que a natureza não faz nada em vão.
Talvez a vida rural nos ensine precisamente isso: cada estação tem o seu trabalho e cada trabalho tem o seu tempo.
Um pensamento contemporâneo
A vida moderna tornou tudo mais rápido.
A terra, porém, continua a ter o seu próprio relógio.
Não podemos mandar na semente para nascer amanhã nem obrigar uma colheita a esperar indefinidamente.
Talvez uma das coisas que a terra ainda nos ensina seja precisamente a paciência.
🌾 Setembro em Porto da Nave
Setembro é um mês de contrastes.
Há colheitas e há sementeiras.
Há gente que chega e gente que parte.
Há festas que terminam e outras que começam.
A terra continua o seu ciclo, enquanto a aldeia vai mudando de ritmo.
E talvez seja isso que torna setembro tão especial: é um mês em que se olha para aquilo que ficou para trás, mas já se começa a pensar no que vem a seguir.
📝 Notas Finais
Setembro deixa-nos entre duas estações.
O verão ainda está presente, mas o outono já se começa a sentir.
É tempo de colher, guardar, preparar e também recordar.
Recordar quem esteve connosco durante o verão, as festas, os encontros e os momentos vividos.
E lembrar que, mesmo quando muitos partem, Porto da Nave continua a ser uma terra que os espera.
Porque uma aldeia não vive apenas das pessoas que estão presentes todos os dias.
Vive também das memórias daqueles que partiram e continuam a chamar-lhe casa.
✍️ Crónica de Porto da Nave — LS & AE
Há meses que passam quase sem darmos por eles.
Setembro não.
Setembro parece trazer consigo uma pequena despedida.
A terra começa a mudar, os dias ficam mais pequenos e algumas casas voltam a fechar as portas depois de semanas de movimento.
Mas fica aquilo que agosto trouxe: os encontros, as conversas, as festas, as fotografias e as memórias.
E fica também a terra, como sempre ficou.
A batata para apanhar.
O milho para ensilar.
O centeio para semear.
É como se Porto da Nave dissesse:
“Podem partir. Eu fico aqui.”
E talvez seja precisamente por isso que tantos acabam por voltar.
🌾 Porto da Nave continua.

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